Excepção Atlântica Pensar a Literatura da Guerra Colonial, de Roberto Vecchi
1/Jul., Qui
Sessão de Autógrafos e Apresentação do Livro Excepção Atlântica. Pensar a Literatura da Guerra Colonial, de Roberto Vecchi, das Edições Afrontamento.
A obra será apresentada pelos Professores Ana Gabriela Macedo, António Sousa Ribeiro e Paulo de Medeiros.

EXCEPÇÃO ATLÂNTICA. PENSAR A LITERATURA DA GUERRA COLONIAL. Pensar a literatura da guerra colonial é um modo, talvez oblíquo, de a reler, porque nela se insinuam, encobertos ou recalcados, rastos de um passado que ainda foge à fundação de uma memória compartilhada. A experiência incómoda da guerra colonial, de facto, proporciona material teórico e imagético relevante para uma possível genealogia da identificação de uma nação e de um império estilhaçados, suspensos entre a perda impreenchível de marcas de auto-reconhecimento e a vertigem de uma possível palingenesia total. Um corpus textual da literatura da guerra, seleccionado através de uma problematização de ordem canónica, é repensado a partir de alguns paradigmas críticos – melancólico, testemunhal, residual, trágico-moderno, traumático, biopolítico etc. – que procuram, na sua precariedade, localizar – mais do que preencher – faltas e perdas de conhecimento. Em jogo, o limiar trágico e esfarrapado de uma tensão ainda em curso entre o colonialismo e o que se seguiu, depois e além dele. A excepção que a guerra permite pensar em múltiplos sentidos, mas sobretudo a partir de uma desmontagem enquanto categoria da filosofia política, contribui para elaborar, através da própria reconfiguração paradigmática praticada no livro, uma crítica directa ao excepcionalismo atlântico da revisão luso-tropicalista do império que se desfez. O que sempre falta é pensar Portugal.
ROBERTO VECCHI é professor associado de Literatura Portuguesa e Brasileira, de História das Culturas de Língua Portuguesa na Universidade de Bolonha e professor de Literatura Portuguesa na Universidade de Milão. Em Bolonha, é professor do programa de doutoramento em Iberística, coordenador científico do Centro de Estudos Pós-Coloniais (CLOPEE) desta Universidade e coordenador da Cátedra Eduardo Lourenço. No Brasil, é pesquisador do CNPq, e em Portugal é investigador associado do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, onde participa de investigações sobre a representação da guerra colonial.









